“O domínio tanto sobre a parte técnica quanto a criativa torna ele um membro indispensável da nossa equipe.” É desta forma que Adam Greenlee, designer de áudio da thatgamecompany, descreve o impacto de Caio Jiacomini. O profissional brasileiro consolidou-se como peça central na identidade de Sky: Children of the Light, título que já ultrapassou a marca histórica de 270 milhões de downloads mundialmente.
Diferenciando-se da competitividade agressiva que satura o mercado atual, o MMO social foca na empatia e na serenidade. O maior desafio artístico do projeto reside na ausência total de comunicação verbal. Sem o recurso de diálogos, a missão de transmitir emoções profundas depende exclusivamente da paisagem sonora, exigindo que Caio Jiacomini aplique uma sensibilidade rara para unir jogadores de origens culturais diversas.
Uma das soluções mais inovadoras lideradas pelo brasileiro, em parceria com Ritsu Mizutani, foi a criação de vozes para personagens do passado sem o uso de idiomas reais. O processo envolveu a gravação de expressões humanas puras — de gritos a suspiros de alegria — que foram submetidas a uma edição técnica minuciosa. O objetivo foi eliminar qualquer semelhança com línguas existentes, resultando em uma linguagem universal e visceral.
A criatividade de Caio Jiacomini também foi determinante na expansão Season of the Two Embers. Ao projetar o som de um santuário subterrâneo, o designer optou por não utilizar trilhas convencionais; ele captou o som do vento entre fendas rochosas e o processou até transformá-lo em uma nota musical pura, criando um instrumento tocável dentro do jogo. Segundo Adam Greenlee, essa capacidade de identificar oportunidades para elevar a experiência do usuário é o que diferencia o trabalho do colega.
Além do universo dos games, o trabalho do brasileiro ganhou vida própria na cultura digital. A sonoridade criada para o “Jellyfish Dance Emote” tornou-se um fenômeno viral, dominando as tendências do TikTok e do Instagram globalmente. Com técnica e visão artística, Caio Jiacomini reafirma que o design de som é uma ferramenta poderosa para gerar conexões humanas autênticas.

